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Programa de exercícios na escola melhora condicionamento físico de adolescentes

Estudo em 22 escolas da Dinamarca encontrou ganhos após 40 semanas de atividades multiesportivas. O bem-estar, porém, não apresentou melhora detectável.

Por Yago CantuáriaNotícia · Pesquisa · Educação Física escolar3 min de leitura
Dois jovens jogam basquete em uma quadra ao ar livre.
Foto ilustrativa de prática esportiva entre jovens. As pessoas fotografadas não são participantes da pesquisa e a imagem não retrata as aulas do programa estudado. Foto: Amanda Mills/USCDCP, via Pixnio.

Um programa de exercícios aplicado nas aulas de Educação Física melhorou o condicionamento de adolescentes em 22 escolas dinamarquesas. Publicado on-line em 28 de setembro na revista Medicine & Science in Sports & Exercise, o estudo acompanhou 40 semanas do FIT FIRST Teen, uma proposta multiesportiva de alta intensidade conduzida por professores.

Como o estudo foi feito

As escolas foram sorteadas entre intervenção e controle, reunindo 1.377 adolescentes: 517 no programa e 860 no grupo de comparação. Os professores receberam um curso de um dia e um manual para conduzir três aulas semanais de 40 minutos.

O que melhorou

O principal resultado foi a aptidão cardiorrespiratória, avaliada por um teste de corrida intermitente. O grupo do programa apresentou ganho médio de distância 106 metros maior que o controle. Também houve diferenças favoráveis de aproximadamente 0,81 kg na força de preensão manual e 0,44 kg na massa muscular. Não foi detectado efeito no bem-estar.

Melhorar um teste não responde a tudo

Esse ponto merece atenção: o estudo encontrou benefícios físicos, mas não demonstrou melhora em todas as dimensões avaliadas. Os 106 metros representam uma diferença de desempenho naquele teste; não são uma medida direta de prevenção de doenças ou de qualidade de vida.

Também é importante olhar além do tamanho da amostra. Como o sorteio ocorreu por escola, alunos da mesma instituição compartilham professores, espaços e rotina. Essa organização precisa entrar na análise — os autores informam o uso de modelos multinível.

O que isso traz para a Educação Física

Para quem trabalha na escola, o interesse está em investigar uma proposta estruturada que os próprios professores conseguem aplicar. A formação e o planejamento fazem parte da intervenção estudada; não dá para atribuir o resultado apenas à expressão “alta intensidade”.

Ao pensar na realidade brasileira, a pergunta é como adaptar a proposta às turmas, aos espaços e às condições de trabalho. O resultado dinamarquês é um ponto de partida para essa discussão. Ainda seria preciso testar a implementação por aqui e acompanhar se os ganhos se mantêm depois do programa.

Fontes para consultar


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