Programa de exercícios na escola melhora condicionamento físico de adolescentes
Estudo em 22 escolas da Dinamarca encontrou ganhos após 40 semanas de atividades multiesportivas. O bem-estar, porém, não apresentou melhora detectável.

Um programa de exercícios aplicado nas aulas de Educação Física melhorou o condicionamento de adolescentes em 22 escolas dinamarquesas. Publicado on-line em 28 de setembro na revista Medicine & Science in Sports & Exercise, o estudo acompanhou 40 semanas do FIT FIRST Teen, uma proposta multiesportiva de alta intensidade conduzida por professores.
Como o estudo foi feito
As escolas foram sorteadas entre intervenção e controle, reunindo 1.377 adolescentes: 517 no programa e 860 no grupo de comparação. Os professores receberam um curso de um dia e um manual para conduzir três aulas semanais de 40 minutos.
O que melhorou
O principal resultado foi a aptidão cardiorrespiratória, avaliada por um teste de corrida intermitente. O grupo do programa apresentou ganho médio de distância 106 metros maior que o controle. Também houve diferenças favoráveis de aproximadamente 0,81 kg na força de preensão manual e 0,44 kg na massa muscular. Não foi detectado efeito no bem-estar.
Melhorar um teste não responde a tudo
Esse ponto merece atenção: o estudo encontrou benefícios físicos, mas não demonstrou melhora em todas as dimensões avaliadas. Os 106 metros representam uma diferença de desempenho naquele teste; não são uma medida direta de prevenção de doenças ou de qualidade de vida.
Também é importante olhar além do tamanho da amostra. Como o sorteio ocorreu por escola, alunos da mesma instituição compartilham professores, espaços e rotina. Essa organização precisa entrar na análise — os autores informam o uso de modelos multinível.
O que isso traz para a Educação Física
Para quem trabalha na escola, o interesse está em investigar uma proposta estruturada que os próprios professores conseguem aplicar. A formação e o planejamento fazem parte da intervenção estudada; não dá para atribuir o resultado apenas à expressão “alta intensidade”.
Ao pensar na realidade brasileira, a pergunta é como adaptar a proposta às turmas, aos espaços e às condições de trabalho. O resultado dinamarquês é um ponto de partida para essa discussão. Ainda seria preciso testar a implementação por aqui e acompanhar se os ganhos se mantêm depois do programa.
Fontes para consultar
- Estudo original — FIT FIRST Teen (2026), resumo no PubMed ↗
- Publicação na Medicine & Science in Sports & Exercise — DOI ↗
Voltar para notícias
